Hino de São Vicente
Biografia de São Vicente de Paulo (1581 – 1660)Vicente de Paulo pertenceu a uma sociedade bastante diferente da nossa e bastante complexa. Ele teve contatos com muitas pessoas de posição, inclusive no clero. Para entender este contexto e a personalidade humana e cristã bastante complexa de São Vicente, é recomendado que o leitor consulte trabalhos históricos relativo ao Século XVII.
Vicente nasceu em Pouy, perto de Dax, durante a primavera de 1581, em uma família de pessoas notáveis. A situação material do seu tempo era precária, uma vez que a região estava se recuperando gradualmente das devastações ocorridas pelas ações protestantes de Jeanne d'Albret, mãe de Henrique IV. Vicente nunca aludiu a estes eventos e sempre buscou um diálogo humilde com protestantes. O pai de Vicente veio de uma família de pessoas importantes da região, e sua mãe era filha do dono de uma pequena fazenda na zona rural que estava se recuperando lentamente da destruição. Um tio paterno de São Vicente administrava um hospício local para os viajantes e peregrinos pobres. Os tios maternos eram magistrados, e o seu avô, por parte de mãe possuia um título de nobreza. Os pais de São Vicente cultivaram uma propriedade modesta, mas Vicente nunca mencionou este aspecto: de ser um camponês. Eles eram pobres? A resposta deve ser sim, quando comparados com as pessoas das cidades grandes, mas, como proprietários de terras, possuíam boas relações com os diversos níveis sociais. Isto explica em parte o costume que Vicente adquiriu desde pequeno de construir bom relacionamento com pessoas de todos os níveis sociais.
A família de Vicente possuía uma fé simples na providência de Deus, permanecendo sempre apesar das diversas calamidades por que passaram.
O pai de Vicente o enviou para estudos, de forma a garantir benefícios eclesiásticos, a exemplo de seu tio. O protetor de Vicente, um advogado do tribunal de Dax, também foi uma inspiração para a idéia do sacerdócio. Futuramente, o Padre Vicente declararia que naquele momento ele não entendia ainda a grandeza do ministério que abraçara, nem de suas responsabilidades. Depois de seus estudos secundários, os quais duraram quatro anos em Dax, Vicente entrou na universidade. Ele provavelmente começou em Zaragoza ao final de 1596, mudando-se Toulouse ao final de 1597.
Em um processo de ordenação muito rápido, Vicente foi ordenado subdiácono e diácono em 1598 e 1599 respectivamente, e em Setembro de 1600, foi ordenado sacerdote em Périgueux.
Posteriormente, terminou os estudos em Toulouse em 1604 e recebeu o bacharelado em teologia e a licença para ensinar o Segundo Livro das Orações de Peter Lombard, que tratava de: criação, pecado, liberdade e graça. Ele provavelmente ensinou lá até maio ou junho de 1605. Ao longo de sua vida, manteve as habilidades teológicas e o dom de ensinar.
Em duas cartas que enviou a seu benfeitor, Vicente explicou seus dois anos de silêncio. Capturado por corsários da Costa Barbária e vendido como escravo a quatro diferentes donos - um pescador, um alquimista, o sobrinho do alquimista e, finalmente a um cristão renegado de Nice - conseguiu escapar por mar até Avignon. Em Avignon, obteve contato com o Núncio, o qual mostrou muito interesse no conhecimento de Vicente a respeito de alquimia. Ele levou Vicente para Roma no outono de 1607, visando obter para ele um emprego bem remunerado.
Estas duas cartas estavam cheias de informação sobre Vicente. Podemos ver nelas seu temperamento, sua facilidade em se relacionar com pessoas, sua busca por dinheiro, sua ligação a amigos e à família, seu conhecimento profundo da língua francesa, a expressão de sua verdadeira fé cristã e o seu interesse por pesquisa, por exemplo, sobre medicina e alquimia.
Após um ano em Roma, Vicente foi para Paris no final de 1608, provavelmente para uma missão temporária: ele esperava que, por volta de 1610, pudesse retornar a Dax, para viver junto à sua mãe, com um bom cargo eclesial. Em Paris, Vicente permaneceu na abadia de São Leonardo de Chaume, perto de La Rochelle.
Na realidade, Vicente não voltou a viver em Dax, como planejara, permanecendo em Paris. Sua estadia permitiu-lhe conviver com um bom padre com o qual aprendeu com sua conduta pastoral e a convivência com protestantes. Teve ainda a oportunidade de conviver com Pierre de Bérulle, o qual possibilitou o contato com os escritos de Teresa d'Ávila, Inácio de Loyola, Luiz de Granada, Francisco de Assis, Francisco de Sales, entre outros.
Sua busca por uma boa remuneração não terminara durante este período. Vicente permaneceu no Oratório, fundado por Bérulle em 11 de Novembro de 1611. A espiritualidade do Oratório se centrava em Jesus Cristo, filho encarnado de Deus. Havia conferências semanais, especialmente nas festas litúrgicas; a Eucaristia era venerada; Maria era sempre colocada por Bérulle como tendo um lugar na missão da Igreja diante dos mais pobres dentre os pobres. Vicente era o principal discípulo de Bérulle e manteve a prática das conferências e as principais linhas de sua espiritualidade, mesmo depois da morte de seu mestre.
Em 1612, Vicente tomou posse da paróquia de Clichy, perto de Paris, onde pode obter uma modesta remuneração, mas possibilitou-lhe desenvolver sua vocação de um zeloso pastor de pessoas boas e importantes.
No final de 1613, Vicente foi convidado a ser o tutor dos filhos dos Gondi. Nesta ocasião, Vicente teve a oportunidade de estudar, meditar e pregar para camponeses das numerosas propriedades dos Gondi. Os raros sermões ainda existentes deste período se centravam na Trindade, na Encarnação e na atitude de adoração à Eucaristia. Eles ainda tratavam especialmente do catecismo e nos exemplos de santos.
Em 1617, o arcebispo De Marquemont de Lion, quis fazer Chântillon-les-Dombes (hoje Chântillon-sobre-Chalaronne) um centro missionário e convidou Bérulle a fundar uma comunidade de padres do Oratório. Bérulle convidou Vicente para liderar um grupo de seis sacerdotes extremamente competentes. Foi a oportunidade para Vicente liderar uma equipe em uma missão.
Em um domingo, antes da missa, alguém pediu a Vicente para convidar pessoas benevolentes para ajudar uma família pobre e doente da paróquia. A resposta das senhoras da paróquia foi maior do que a expectativa de Vicente e este foi o primeiro grupo de Damas da Caridade. Com a vocação de união com Deus através de um serviço espiritual e físico aos pobres, com "caridade, humildade e simplicidade", as Damas da Caridade estão hoje espalhadas pelo mundo inteiro e constituem a Associação Internacional das Caridades (AIC).
Em 1622, Francisco de Sales nomeou Vicente Visitador das freiras de Paris. Vicente permaneceu como Visitador da ordem até a sua morte. Como Visitador, Vicente proferia conferências sobre espiritualidade, fundou três novos mosteiros e fazia o possível para levantar fundos para a sobrevivência da ordem.
Em 1625, Senhora de Gondi persuadiu Vicente a formar uma congregação de padres dedicados à pregação do Evangelho aos pobres e levantou fundos para possibilitar a sua fundação. Os três primeiros coirmãos se juntaram a Vicente em 4 de Setembro de 1626. Estava fundada a Congregação da Missão, crescendo rapidamente para fora das propriedades dos Gondi.
Vicente e seus missionários enfatizavam especialmente a Trindade, a Criação, o final do homem no Céu. A finalidade principal, escrita por Vicente era: "atrair almas para o Céu". Os missionários pregavam sobre moral de manhã cedo - chamando estas pregações de "sermões" - e sobre doutrina à tarde, chamando a isto de "o grande catecismo".
seu tempo era precária, uma vez que a região estava se recuperando gradualmente das devastações ocorridas pelas ações protestantes de Jeanne d'Albret, mãe de Henrique IV. Vicente nunca aludiu a estes eventos e sempre buscou um diálogo humilde com protestantes. O pai de Vicente veio de uma família de pessoas importantes da região, e sua mãe era filha do dono de uma pequena fazenda na zona rural que estava se recuperando lentamente da destruição. Um tio paterno de São Vicente administrava um hospício local para os viajantes e peregrinos pobres. Os tios maternos eram magistrados, e o seu avô, por parte de mãe possuia um título de nobreza. Os pais de São Vicente cultivaram uma propriedade modesta, mas Vicente nunca mencionou este aspecto: de ser um camponês. Eles eram pobres? A resposta deve ser sim, quando comparados com as pessoas das cidades grandes, mas, como proprietários de terras, possuíam boas relações com os diversos níveis sociais. Isto explica em parte o costume que Vicente adquiriu desde pequeno de construir bom relacionamento com pessoas de todos os níveis sociais.
A família de Vicente possuía uma fé simples na providência de Deus, permanecendo sempre apesar das diversas calamidades por que passaram.
O pai de Vicente o enviou para estudos, de forma a garantir benefícios eclesiásticos, a exemplo de seu tio. O protetor de Vicente, um advogado do tribunal de Dax, também foi uma inspiração para a idéia do sacerdócio. Futuramente, o Padre Vicente declararia que naquele momento ele não entendia ainda a grandeza do ministério que abraçara, nem de suas responsabilidades. Depois de seus estudos secundários, os quais duraram quatro anos em Dax, Vicente entrou na universidade. Ele provavelmente começou em Zaragoza ao final de 1596, mudando-se Toulouse ao final de 1597.
Em um processo de ordenação muito rápido, Vicente foi ordenado subdiácono e diácono em 1598 e 1599 respectivamente, e em Setembro de 1600, foi ordenado sacerdote em Périgueux.
Posteriormente, terminou os estudos em Toulouse em 1604 e recebeu o bacharelado em teologia e a licença para ensinar o Segundo Livro das Orações de Peter Lombard, que tratava de: criação, pecado, liberdade e graça. Ele provavelmente ensinou lá até maio ou junho de 1605. Ao longo de sua vida, manteve as habilidades teológicas e o dom de ensinar.
Em duas cartas que enviou a seu benfeitor, Vicente explicou seus dois anos de silêncio. Capturado por corsários da Costa Barbária e vendido como escravo a quatro diferentes donos - um pescador, um alquimista, o sobrinho do alquimista e, finalmente a um cristão renegado de Nice - conseguiu escapar por mar até Avignon. Em Avignon, obteve contato com o Núncio, o qual mostrou muito interesse no conhecimento de Vicente a respeito de alquimia. Ele levou Vicente para Roma no outono de 1607, visando obter para ele um emprego bem remunerado.
Estas duas cartas estavam cheias de informação sobre Vicente. Podemos ver nelas seu temperamento, sua facilidade em se relacionar com pessoas, sua busca por dinheiro, sua ligação a amigos e à família, seu conhecimento profundo da língua francesa, a expressão de sua verdadeira fé cristã e o seu interesse por pesquisa, por exemplo, sobre medicina e alquimia.
Após um ano em Roma, Vicente foi para Paris no final de 1608, provavelmente para uma missão temporária: ele esperava que, por volta de 1610, pudesse retornar a Dax, para viver junto à sua mãe, com um bom cargo eclesial. Em Paris, Vicente permaneceu na abadia de São Leonardo de Chaume, perto de La Rochelle.
Na realidade, Vicente não voltou a viver em Dax, como planejara, permanecendo em Paris. Sua estadia permitiu-lhe conviver com um bom padre com o qual aprendeu com sua conduta pastoral e a convivência com protestantes. Teve ainda a oportunidade de conviver com Pierre de Bérulle, o qual possibilitou o contato com os escritos de Teresa d'Ávila, Inácio de Loyola, Luiz de Granada, Francisco de Assis, Francisco de Sales, entre outros.
Sua busca por uma boa remuneração não terminara durante este período. Vicente permaneceu no Oratório, fundado por Bérulle em 11 de Novembro de 1611. A espiritualidade do Oratório se centrava em Jesus Cristo, filho encarnado de Deus. Havia conferências semanais, especialmente nas festas litúrgicas; a Eucaristia era venerada; Maria era sempre colocada por Bérulle como tendo um lugar na missão da Igreja diante dos mais pobres dentre os pobres. Vicente era o principal discípulo de Bérulle e manteve a prática das conferências e as principais linhas de sua espiritualidade, mesmo depois da morte de seu mestre.
Em 1612, Vicente tomou posse da paróquia de Clichy, perto de Paris, onde pode obter uma modesta remuneração, mas possibilitou-lhe desenvolver sua vocação de um zeloso pastor de pessoas boas e importantes.
No final de 1613, Vicente foi convidado a ser o tutor dos filhos dos Gondi. Nesta ocasião, Vicente teve a oportunidade de estudar, meditar e pregar para camponeses das numerosas propriedades dos Gondi. Os raros sermões ainda existentes deste período se centravam na Trindade, na Encarnação e na atitude de adoração à Eucaristia. Eles ainda tratavam especialmente do catecismo e nos exemplos de santos.
Em 1617, o arcebispo De Marquemont de Lion, quis fazer Chântillon-les-Dombes (hoje Chântillon-sobre-Chalaronne) um centro missionário e convidou Bérulle a fundar uma comunidade de padres do Oratório. Bérulle convidou Vicente para liderar um grupo de seis sacerdotes extremamente competentes. Foi a oportunidade para Vicente liderar uma equipe em uma missão.
Em um domingo, antes da missa, alguém pediu a Vicente para convidar pessoas benevolentes para ajudar uma família pobre e doente da paróquia. A resposta das senhoras da paróquia foi maior do que a expectativa de Vicente e este foi o primeiro grupo de Damas da Caridade. Com a vocação de união com Deus através de um serviço espiritual e físico aos pobres, com "caridade, humildade e simplicidade", as Damas da Caridade estão hoje espalhadas pelo mundo inteiro e constituem a Associação Internacional das Caridades (AIC).
Em 1622, Francisco de Sales nomeou Vicente Visitador das freiras de Paris. Vicente permaneceu como Visitador da ordem até a sua morte. Como Visitador, Vicente proferia conferências sobre espiritualidade, fundou três novos mosteiros e fazia o possível para levantar fundos para a sobrevivência da ordem.
Em 1625, Senhora de Gondi persuadiu Vicente a formar uma congregação de padres dedicados à pregação do Evangelho aos pobres e levantou fundos para possibilitar a sua fundação. Os três primeiros coirmãos se juntaram a Vicente em 4 de Setembro de 1626. Estava fundada a Congregação da Missão, crescendo rapidamente para fora das propriedades dos Gondi.
Vicente e seus missionários enfatizavam especialmente a Trindade, a Criação, o final do homem no Céu. A finalidade principal, escrita por Vicente era: "atrair almas para o Céu". Os missionários pregavam sobre moral de manhã cedo - chamando estas pregações de "sermões" - e sobre doutrina à tarde, chamando a isto de "o grande catecismo".
Dada a grande dificuldade em formar novos sacerdotes em seminários, Vicente inovou, criando retiros de duas semanas para formação de seminaristas. Esta experiência se mostrou um sucesso e foi adotada praticamente em todas as dioceses.
Em 1633, esta experiência foi consolidada como um instrumento de formação contínuo: estavam estabelecidas as "Conferências das Terças-Feiras". Nelas, Vicente propunha e pregava sobre assuntos específicos e os padres compartilhavam os acontecimentos que tinham acontecido na semana precedente relativos a estes assuntos.
Enquanto isso, Vicente tomou para si a responsabilidade de gerenciar o leprosário de São Lázaro, junto com seus coirmãos: por isso, os Padres da Missão passaram a se chamar de "Lazaristas".
As Caridades cresciam rapidamente. Em Paris, as Damas da Caridade começaram em 1630 um serviço às jovens em perigo na cidade. Neste serviço, em particular se destacavam Senhora de Villeneuve e Marguerite Naseau, a qual veio a falecer por uma praga adquirida através de contacto com uma moça a qual servia. Luiza de Marillac concordou em liderar o grupo e, em 1633, estava fundada a Companhia das Filhas da Caridade, com o mesmo espírito das Damas da Caridade: "honrar Nosso Senhor Jesus Cristo e sua santa mãe em seu serviço espiritual e físico pelo pobre", pela busca de sua santificação através da caridade, humildade e simplicidade.
Em 1885, o Papa Leão XIII declarou São Vicente de Paulo como o Patrono das obras de caridade.
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